A equação atual do mundo e da sociedade de consumo tende claramente a priorizar o efêmero, a hipertrofiar o passageiro (como nos modismos) e a inflacionar cada instante. Esse instante de bombardeio de informações acaba por nos aprisionar mais do que nos libertar na construção do conhecimento de nós mesmos e do mundo.
Ao se submeter o interesse público ao jogo prevalecente dos ganhos privados, toda atividade se vê a reboque do mercado. Criando uma pressão de informações velozes e nunca processadas, dinamizada por indivíduos, desejos e ações sempre atomizados, provisórios e presos a um presente perpétuo e sem história.
Esse presente perpétuo é um tempo inteiramente fetichizado, onde a repetição continuada das mesmas pseudonovidades faz desaparecer toda a memória histórica de modo que nenhum acontecimento possa ser compreendido em suas causas e conseqüências. A memória do sofrimento é arquivada para que o homem possa adaptar-se a um eterno presente, carente de recordação.
Um novo projeto de cidade é, portanto, essencial para a construção e reconstrução de um novo projeto de homem.
Por conseguinte, a finalidade da arquitetura não é apenas a resolução das necessidades práticas, mas também a transformação das pessoas, da sociedade e do contexto real e imaginário no qual se insere; ou seja, considera o projeto de cidade como a construção de um novo homem.
A arquitetura deve referir-se a duas dimensões: a da ética e a da liberdade. Como dimensão ética entendo a implicação de examinar em que medida a obra se alimenta de princípios e valores a serem compartilhados e próprios ao destino comum de um determinado grupo social e contexto.
Já na dimensão de liberdade considero que o cidadão é realmente livre não por não ter ou ver os impedimentos à realização de seus desejos, vontades e impulsos diversos, mas por conseguir realizar plenamente as suas potencialidades e se reconhecer como agente do corpo político. Tais potencialidades só podem se realizar no âmbito da esfera pública, e não na esfera particular.
Esse projeto de cidade visa a "construção" de um ambiente em que o cidadão participe da construção de um corpo político onde, junto com os outros, se eduque, se reconheça e procure realizar suas potencialidades. A cidade proposta tem, portanto, a vocação de educar os cidadãos civicamente.
É, portanto, impossível considerar a metodologia e a técnica do projetista como zonas de imunidade ideológica. Planejando não se planeja a vitória mas o comportamento que nos propomos manter na luta. A utopia é ingrediente fundamental nesse complexo caminho, onde planejamos um lugar melhor. A revolução é gradual, constante, infinita e mutante.
Oi joaaao!
ResponderExcluirque preguiça de ler isso agora!
mas foi mto boa a sua iniciativa!
e se o elogio está vindo de mim é pq é verdade!
um beijo miguxo,
missss hahahahaha
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirmlq, mt maneiro o texto!
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